El Capitxn fala de retorno ao Brasil, álbum solo e mais: "Um novo começo"
Prestes a voltar ao Brasil para a turnê Who Killed El?, o DJ e produtor sul-coreano El Capitxn está com altas expectativas para o retorno, com shows marcados em seis cidades brasileiras entre os dias 4 e 26 de julho.
Apenas algumas semanas antes de embarcar, o artista bateu um papo com a imprensa brasileira em uma chamada de vídeo, falando sobre a nova fase de retorno aos palcos, planos para o futuro e o impacto que o Brasil deixou em sua vida e carreira após a visita em 2025.
Confira a coletiva na íntegra!
Por favor, comece se apresentando.
Olá, pessoal. Eu sou o El Captxn, que anteriormente vocês conheciam por contar muito a história de outras pessoas, de outros cantores, de outros artistas, e a partir de agora vou contar mais da minha história.
No ano passado, você comentou sobre a sua transição dos bastidores como produtor de grandes hits de K-pop de volta para os palcos. Agora, com o lançamento do seu single solo ‘Breaking Through’ e a estética enigmática da nova turnê, Who Killed El? você parece estar construindo uma narrativa visual e sonora muito própria. O que a morte simbólica do El representa nessa nova fase e como você equilibra a identidade de um produtor de bilhões de streams com a liberdade desse novo alter ego artístico nos palcos?
A turnê, na verdade, transcende o pensamento de quem me matou, mas fala da nova versão que me tornei. Porque anteriormente era uma pessoa que falava muito da história dos outros e passava a mensagem de outros artistas com quem tinha trabalhado. E com essa nova versão quero contar a minha própria história, passar minha própria mensagem. A turnê se chama ‘Who Killed El?’ porque é como se tivesse renascido, como se as duas versões não conseguissem coexistir no mesmo lugar.
Ao longo da sua carreira, o público conheceu o Yi-Jeong como idol, o El Captxn - primeiro como produtor por trás de grandes músicas, depois como DJ - e agora cada vez mais como artista solo com identidade própria. A turnê Who Killed El? parece misturar todas essas versões suas. Quando você pensa na experiência ideal que quer criar no palco, como você definiria o estilo de um show do El Captxn e o que você espera que o público sinta ao sair de um show seu?
Agora que estou em uma nova fase, espero que daqui pra frente as pessoas não enxerguem meus shows como shows normais. Espero que, quem estiver lá, consiga perceber que realmente estou contando a minha história e passando as mensagens que quero passar. E daqui pra frente teremos mais músicas e mais álbuns que vão contar tudo isso, então espero que as pessoas que saem do show sintam que agora conhecem um pouco mais sobre quem é o El Capitxn.
Sabemos que os produtores têm ouvidos muito sensíveis. Quando você não está trabalhando, o que toca no seu fone de ouvido para você relaxar a mente?
Na verdade, quando não estou trabalhando, não costumo ouvir nenhum tipo de música. Não é por ter os ‘ouvidos sensíveis’, mas prefiro não ter contato com nada de música até terminar algum projeto em que esteja trabalhando.
Recentemente você lançou ‘Breaking Through’ com o Taehyun do TXT. Como essa música dita o tom e a energia que o público vai presenciar no show?
Agora ter essa música é uma coisa muito especial, especificamente para a América Latina. Quando fui anteriormente, fui como produtor e não tinha nenhuma música que pudesse exatamente chamar de minha. Então agora poder voltar para a América Latina com uma música que é minha torna a experiência ainda mais especial. Posso dizer que é como um novo começo, um novo ponto de partida para conquistar o público na América Latina.
‘Breaking Through’ marcou um novo capítulo da sua trajetória como artista. O que essa música representa para você e de que forma ela reflete quem é o El Capitxn hoje, além do produtor que o público já conhece?
‘Breaking Through’ é uma canção que é muito especial porque expressa os processos que estou passando nesse novo capítulo da minha vida, desse novo caminho que estou percorrendo. Ela representa o percurso desse processo de me tornar um artista e mostrar minha história para o mundo e os desafios e dificuldades que terei que enfrentar para chegar aos meus objetivos.
Durante a sua turnê, vimos que você não apenas leva o K-Pop para cada cidade, mas também compartilha e aprecia muito o K-hip-hop, algo que dá uma energia muito especial a seus shows. Quem é seu artista favorito do gênero? Há algum nome do universo KHip Hop pu K-R&B que tenha chamado a sua atenção recentemente?
Como comentei, não tenho ouvido muita coisa enquanto trabalho nas minhas próprias músicas e outros projetos, então não consigo pensar em nenhum artista em específico.
Você já trabalhou com diversos nomes de destaque na indústria musical coreana. Existe algum artista do Brasil que chame sua atenção ou que você acredita que combinaria com o seu estilo de produção?
Falei isso na minha última visita, mas sigo com muito interesse em tentar fazer um funk. Mas no momento em que estou agora, é muito importante que minha própria identidade, mensagem e estilo estejam nas minhas músicas. Para fazer um funk nesse momento, essa música teria que ter um toque de algo que contasse a minha história e onde estou hoje como artista, então talvez o melhor momento para isso seja um pouco mais para frente. Primeiro quero fazer uma linha musical que já conheço e sigo, e aos poucos quero ir adicionando outros estilos musicais que gostaria de experimentar, como o funk.
Como produtor, você é conhecido por fundar a Vendors Production e por sua sensibilidade ao traduzir sentimentos e sons do cotidiano em música. O Brasil tem uma riqueza rítmica imensa, que vai do funk ao samba e à bossa nova. Durante sua passagem pelo país, algo na nossa cultura sonora ou urbana chamou sua atenção a ponto de despertar ideias para futuras produções?
O que mais me deu inspiração na minha passagem pelo Brasil foi a energia do público, que foi algo muito marcante para mim e me inspirou em muitas músicas.
Ao produzir músicas para artistas tão diferentes como o TXT e os membros do BTS, como você consegue equilibrar a sua identidade e visão como produtor com a identidade única que cada artista precisa transmitir ao público?
Isso é uma questão muito difícil quando estou produzindo para outras pessoas porque, obviamente, como um profissional fazendo música para outra pessoa, é muito importante que a gente coloque a mensagem e o que aquele artista quer passar na música. Mas, ao mesmo tempo, como artista, também existe a necessidade de adicionar minha identidade na música. Justamente por isso, não diria que existe uma regra definida nem nada do tipo, mas sempre tento pensar junto com o artista o que ele gostaria de expressar com o El Capitxn especificamente. Não com qualquer outro produtor, mas especificamente por ele estar fazendo uma música comigo. Qual o tipo de mensagem que gostaríamos de passar juntos? Mas não é uma regra, pois essa é uma questão difícil e decidida na hora de fazer.
Num mundo em que a inteligência artificial está cada vez mais presente na música, o que você acredita que jamais poderá substituir a criatividade humana?
Tem duas coisas que acredito que a inteligência artificial jamais será capaz de substituir os humanos na hora de produzir uma música: a primeira é justamente os sentimentos, pois ela não sente nada e não seria capaz de colocar o sentimento humano em uma música. E a segunda é o fato de que cada um coloca sua própria história e a própria mensagem nas músicas, e a IA não vive, não tem experiências, ela só faz o que é mandado.
Aqui no Brasil temos a expressão "confia no processo". Falamos isso quando não temos certeza, mas vamos confiar que vai dar certo. Então, qual foi a ideia ou o momento que parecia maluco no início, mas acabou virando um sucesso?
Quando falamos de confiar no processo, não sei pensar exatamente no momento em que comecei a pensar assim depois de perder a voz, porque achei que meu mundo estava completamente perdido e não conseguiria mais ser artista. Essa é uma época que inclusive apaguei da minha memória, justamente porque foi um período muito difícil. Mas o fato de que consegui me reerguer mesmo tendo esse problema até hoje, é como se fosse um eterno “confia no processo”. Continuo sempre acreditando, mesmo sem ter certeza dos resultados ou de como isso tudo vai terminar.
Muitas pessoas conhecem o seu trabalho antes mesmo de conhecerem você. Qual foi o momento em que percebeu que o público começou a enxergar El Capitxn como um artista e não apenas como produtor?
Não consigo definir um momento exato porque nem tenho certeza se atualmente sinto isso. Tive um sentimento muito parecido fazendo minha turnê até agora, depois de fazer tantos shows em tantas cidades, e ver as pessoas indo aos shows. Acho que senti algo perto disso, mas ainda não sei dizer um momento exato em que senti que me enxergavam como artista. Às vezes acho que eu mesmo não quero acreditar e sinto que tenho que continuar fazendo música até chegar nesse momento.
A Vendors é seu coletivo criativo que pretende traçar um padrão de produção genuíno e autêntico. Como você imagina que essa marca vai moldar a música coreana e global nos próximos anos?
Acredito que a Vendors tem que continuar produzindo boas músicas. Mas gostariam que a Vendors também não fosse só isso, mas uma label que possa mudar o mundo mostrando novas possibilidades da música e ligando artistas de todo o mundo cada vez mais.
Quando você não está trabalhando em músicas ou produções, que tipo de atividades, experiências ou formas de arte costuma buscar para renovar sua criatividade e encontrar novas inspirações para seus projetos?
Na verdade, a minha vida é fazer música. Não tenho outros hobbies nem nada em que consiga pensar. Faço música o dia inteiro e, mesmo quando não estou trabalhando, estou fazendo música. Esse é meu único passatempo.
Você está há alguns anos atuando como produtor. Olhando para a sua trajetória, o que mais mudou desde sua estreia até hoje?
Se fosse comparar, diria que no início, quando comecei a fazer música, meu foco principal - acho que por ainda ser um pouco limitado - era apenas fazer uma boa música, ter um bom resultado. Mas hoje em dia sinto que o que mais mudou é ter uma visão maior na hora de fazer música. Não consigo considerar só o que fazer, mas também o tipo de mensagem, qual é a história do artista. Hoje consigo ter esse tipo de visão que também agrega na hora de produzir música.
Que diferenças o público brasileiro pode esperar nessa turnê em relação às apresentações do ano passado?
É segredo.
Como compositor, você costuma começar uma música pela melodia, pela harmonia ou pela história que deseja contar? Como esse processo aconteceu especificamente em ‘Breaking Through’?
Isso varia muito de música para música; algumas começam pela melodia, outras pela letra, pelo instrumental. Mas sinto que tanto em ‘Breaking Through’ como em outras músicas que produzi para o meu álbum, o foco era muito mais no que estava sentindo, então o primeiro passo era olhar para essas emoções e entender o que queria expressar.
O Brasil já virou parada obrigatória nas suas turnês. Qual é a importância de sempre voltar ao país, principalmente com o seu público? O que você mais espera encontrar toda vez que volta?
O Brasil é um país muito especial porque é um lugar que, quando visito, consigo entender muito bem o que estou sentindo. Sentimentos que antes eu não conseguia entender, consegui senti-los muito claramente quando estive no Brasil. Também é o país que me tirou a incerteza de se eu deveria voltar aos palcos como artista. Espero que a minha conexão com o Brasil cresça cada vez mais e que, daqui pra frente, tenha mais trabalhos no mercado musical brasileiro e possa continuar me aproximando do público brasileiro.
Com tantas conquistas na carreira, qual é o último desafio que ainda te deixa animado e curioso para explorar?
Com certeza a produção do meu álbum, que estou fazendo agora, e todo esse novo caminho como artista que estou vivendo.
Como produtor, Jang Yi-Jeong lida tanto com artistas que estão no topo das paradas quanto com projetos independentes. De que forma é possível manter sua autenticidade mesmo quando trabalha diante de tendências de mercado?
Como produtor, sou a pessoa que menos se esforça para seguir tendências, justamente porque elas começam e terminam igualmente rápido. Qualquer coisa que você fizer agora como tendência vai passar logo. É claro que seria ideal juntar a sua história com elementos que estão fazendo sucesso, mas não sou muito obcecado com isso. Faço música pensando na mensagem, na história e naquele presente momento.
Em 2025, você lançou o livro ‘We Are Still On In Our Interlude’. O livro aborda a sua própria jornada ao longo dos anos. Poderia falar um pouco sobre o livro e se houve algum momento durante sua passagem no Brasil que te marcou e que poderia estar nesse livro?
O livro realmente expressa muito da minha história e o que passei até hoje. Se fôssemos falar de algum momento no Brasil que eu colocaria no livro, seria justamente o dia do show em São Paulo. Ali foi um momento em que percebi quantas pessoas me amavam e apoiavam, e o quanto estava certo em querer seguir esse caminho como artista. Esse dia se tornou realmente inesquecível para mim.
O que muda na sua relação com a música quando você sai dos bastidores do estúdio e passa a interagir diretamente com o público nos palcos?
Obviamente são ambientes diferentes, porque quando estou no estúdio, tenho tempo para poder pensar e criar música, é onde tenho liberdade criativa e posso pensar no resultado que quero que saia. Já no palco, é tudo na hora, ao vivo, então tem momentos que não saem como o esperado. Mas as músicas que crio no estúdio são as que vão para o palco. Se fosse comparar, é como se, em época de provas, o estúdio fosse a sua sessão de estudo, sua preparação, quando você pode pesquisar a fundo cada tópico. E a hora do show é a hora da prova, é levar o que foi feito no estúdio para o ao vivo, e existe sempre a chance de dar tudo errado.
O K-pop é um meio em que inovação, experimentalismo e misturas entre estilos são incentivados. Quais diferenças você enxerga entre este ambiente e a música pop ocidental?
É de conhecimento de muitas pessoas que o K-Pop - e a cultura coreana em si - são feitos de sistemas. Então até a parte da criação de músicas segue um sistema que é feito para ser perfeito. E obviamente existem os pontos positivos disso porque os resultados são muito mais prováveis de serem favoráveis, tecnicamente falando, justamente porque existe um sistema pré-pensado para produzir essas músicas. Mas quando olhamos para a música pop ou country, as músicas são de certa forma mais humanas, porque não existe um sistema esperado ou correto para produzir uma música. Os artistas e produtores têm muito mais liberdade para explorar o que quiserem e passar a mensagem que quiserem, não apenas nas letras, mas também na produção, que pode ter um toque mais humano e criativo. Como o K-Pop segue esses sistemas, não tem tanto dessa liberdade.
Se pudesse passar um dia livre aqui no Brasil, o que gostaria de fazer?
Se tiver um tempo livre no Brasil, quero poder conhecer melhor o país, dar uma volta pelos lugares em que vou passar após encontrar os fãs. Porque da última vez que estive no Brasil não tive tanto tempo livre para conhecer mais o Brasil como território. Então depois de encontrar os fãs, gostaria muito de poder passear como uma pessoa normal, uma pessoa brasileira, poder entender a rotina e conhecer os lugares em que vou passar.
Existe algum som ou estilo que ainda quer explorar, mas ainda não teve a oportunidade?
O funk.
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